
A utilização de
Misturas Betuminosas de Alto Módulo de Deformabilidade (MBAM) em
pavimentos rodoviários tem vantagens técnicas e económicas importantes relativamente ao uso de misturas tradicionais, num espectro alargado de condições de solicitação e capacidade de suporte do solo de fundação. Além disso não são necessárias alterações relevantes no
processo construtivo de pavimentos, pelas empresas de
construção rodoviária.
Os ensaios estáticos de compressão diametral mostram também que a resistência de Misturas de Alto Módulo à tracção indirecta é superior à de misturas tradicionais, sendo a dispersão observada não muito significativa.
Na década de 80, surgiram novas misturas betuminosas cujo comportamento era apresentado como sendo substancialmente melhor que o das tradicionalmente usadas face aos mecanismos de ruína, tendo tomado a designação de misturas de alto módulo de deformabilidade ou, simplesmente, misturas de alto módulo. Essa melhoria foi conseguida à custa da utilização de materiais diferentes, sendo a principal novidade o recurso a um betume duro.

O desenvolvimento efectivo deste tipo de misturas começou em França no início dos anos 80 não obstante, na década de 70, terem sido realizadas outras misturas que, embora mobilizando um módulo de deformabilidade elevado, não se enquadram no conceito actualmente prevalecente.
As misturas usadas nos anos 70 consistiram, fundamentalmente, na utilização como ligante dum betume modificado com polímeros no lugar do betume 60/70 convencionalmente aplicado. Esses materiais foram usados essencialmente em camadas de desgaste no atravessamento de aglomerados. A fabricação e colocação em obra destes materiais revelou-se delicada comprometendo a qualidade final do material. Acresce que o seu custo era mais elevado que o das misturas de alto módulo realizadas com betume duro, pelo que o seu uso foi praticamente abandonado.
Depois de 1985, verificou-se um crescente recurso a soluções baseadas em misturas de alto módulo para a resolução de situações para as quais as misturas betuminosas tradicionais não apresentavam comportamento adequado. Foram usadas, em primeiro lugar, como reforço de pavimentos antigos por apresentarem excepcionais capacidades estruturais. Depois foi feita a sua aplicação em camadas anti-rodeira.
Mais tarde, o betume duro foi utilizado para o fabrico de misturas com agregados de fraca qualidade, constituídos essencialmente por materiais rolados, com o objectivo de produzir material de comportamento aceitável, apesar da fraca qualidade dos agregados. Na maior parte dos casos usaram-se na realização de camadas de base e de regularização.
As misturas de alto módulo de deformabilidade aplicadas a partir dos anos 80 são materiais fortemente doseados em betume duro de destilação directa ou ligeiramente modificado, de penetração a 25°C, 10/20, 10/25 ou mesmo 5/35 décimas de milímetro, apresentando elevadas temperaturas de amolecimento determinadas pelo método do anel e bola, sendo correntes valores entre 60°C e 90°C.
As granulometrias mais correntes eram 0/10, 0/14 e 0/20, muitas vezes semelhantes às dos betões betuminosos e “grave-bitume”. Tal como para as misturas betuminosas convencionais, também no caso das misturas de alto módulo é a granulometria 0/20 que se utiliza na construção de camadas de base.
É relativamente pouco usual o emprego de betumes modificados no fabrico das misturas de alto módulo, tendo sido utilizados apenas nos BBME destinados à realização de camadas de desgaste.
Já nos anos 90, foi investigado o desenvolvimento de novas misturas destinadas à realização de Camadas de regularização e de desgaste utilizadas elas suas qualidades anti-rodeira e desempenhando um papel estrutural importante.
Autor: Silvino Dias Capitão
Excerto Adaptado
Imagens: Vögele